O que pensam os alunos do ensino médio sobre o ensino de história apresentado no “guia politicamente incorreto da História do Brasil” de Leandro Narloch

Márcia Elisa Teté Ramos

Resumo


Este estudo mostra resultados de uma investigação junto a 138 alunos do ensino médio, realizada por intermédio de grupos focais, que objetivou averiguar como estes se apropriavam do livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" escrito pelo jornalista Leandro Narloch, publicado em 2009 pela editora Leya. Neste, critica-se a história do Brasil ensinada nas escolas, argumentando que os professores de história são ultrapassados pelo fato de serem "esquerdistas". Para o autor, entre outros temas abordados na escola de forma questionável, estaria a edificação de culturas atrasadas, - em especial, do indígena -, avessas aos princípios norteadores de fortalecimento de uma nação: racionalidade, empreendedorismo, progresso e trabalho. Como Narloch propõe romper, negar, criticar a história ensinada, e o faz enfatizando a forma de apresentação do discurso em detrimento da "objetividade", consegue convencer/persuadir o leitor. A pesquisa conclui que os saberes circulantes na sociedade, principalmente de cunho midiático, podem ter mais força pedagógica que a escola; que um modelo de interpretação crítica não significa uma crítica histórico-social da realidade e que as diferenças entre formas de viver e de pensar, do passado e do presente, ainda são vistas de modo ahistórico.

Palavras-chave


Literacia histórica; Cultura midiática; Aprendizado histórico; Narrativa; Cultura indígena

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